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Projeto HoHoHo! HaHaHa!


A ideia era mostrar para as crianças que as pessoas se conectavam de formas diferentes antes da internet. Era bem mais lento, mas tinha um charme bem diferente de um beep piscando no celular para avisar que chegou outra mensagem. Era algo que dava para pegar, virar, rasgar com cuidado quando o remetente tivesse lambujado o envelope com cola e finalmente ler e reler algo que fora escrito há dias, talvez semanas. Alguns envelopes cruzavam oceanos e vinham com selos tão diferentes que faziam os olhos dos colecionadores brilharem de emoção da mesma forma que os olhos da minha filha brilham ao abrir um pacotinho de figurinhas de Pokemón e achar uma rara e brilhante:


- Não, filhinha! Não existiam Pokemóns quando o papai era criança.

- E Album da Copa?

- Esse já existia, meu filho. E assim como você tem o Álbum da Copa de 2014 e 2018, eu tinha o Álbum da Copa de 1982 e 1986 completinhos. Ao invés de Neymar, o Brasil tinha Zico, Sócrates, Falcão... Era um timaço e, acredite, todos os jogadores jogavam em times brasileiros.


Enquanto eu pedia para as pessoas me encaminharem seus endereços completos, uma geração inteira me dizia que nunca havia recebido um Cartão de Natal ou sequer uma carta. Baby Boomers, o pessoal da Geração X e alguns Millenials constaram que, há décadas, só recebem contas e multas pelo correio.


Após detalhada análise pelo jurí completamente imparcial, formado pela minha esposa e eu, constatou-se que os cartões mais bonitos foram desenhados e pintados pela minha filha (10 anos) e pelo meus filho (7 anos). As frases foram copiadas da internet na cara dura. Tudo foi feito a seis mãos num processo 100% artesanal e que demostrou que a desaceleração, focada em valores, fomenta novas conexões criativas, familiares e sociais:


- Papai! A roupa do Papai Noel tem que ser vermelha?

- Pode ser da cor que você quiser.

- Papai! Seus desenhos são muito zoados. Você pode fazer uma rena Pokemón?